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BODE ASSADO NA SALA – Joao Santana ex-prefeito de Tucano na Bahia pela Arena

A história do Brasil sem páginas arrancadas.

A semana passada fiz um breve relato da Administração do Prefeito JOÃO CERQUEIRA DE SANTANA. Naquela época João Santana, exercia as funções de Escrivão do Cível da Comarca de Tucano e para se candidatar teve que se desincompatibilizar se afastando do cargo. O Juiz de então, o saudoso Helio Lanza me designou para substituí-o, pois eu exercia as funções de escrivão criminal. O período de substituição foi pouco, pois o candidato tentou me pressionar para votar nele, ordem que não foi aceita e assim fui substituído por Antonio José, hoje falecido e irmão de minha esposa que também trabalhava no Judiciário. Nunca gostei de ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa com imposição. Como estávamos vivendo em um regime de ditadura militar, os administradores tentavam imitar os militares, dando ordens para serem cumpridas e não discutidas. Espero nunca mais viver um regime de ditadura. Ditadura nunca mais. Só para se ter  uma ideia de como as coisas eram tratadas, conto uma pequena história: O Presidente Castelo Branco esteve na Bahia, quando era governador Lomanto. O Presidente perguntou: Governador você fuma? O Governador respondeu: Fumo mais se o senhor quiser eu deixo. Na administração pública não era diferente, principalmente em Tucano. Gildásio Penedo, o “todo Poderoso”, apresentou João Santana para lhe substituir, naquela época não havia reeleição, pois se houvesse seria Gildásio o candidato. João Santana, depois de eleito, sem interferência de Gildásio que ficou no seu cantinho cuidando dos seus doentes. O relacionamento político entre os dois foi rompido. João Santana fez uma razoável administração. Pena que só foi dois anos. João Santana que pertencia a ARENA1, antigo PRP, grupo político que passou a ser chamado de BOCA BRANCA, cumpriu sua palavra, pois era homem direito e confiável, apresentou como candidato GILDÁSIO PENEDO CAVALCANTE DE ALBUQUERQUE, tendo este sido eleito em 1972 e governado Tucano até 1976. O seu governo tinha um lema: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Era o ranço da ditadura militar. “Ao meu amigo tudo, ao inimigo a lei”, dizia o grande chefe ACM. Gildásio fez uma administração “feijão com arroz”, temperado com o assistencialismo, implantado no município por ele e que até hoje permanece, onde o voto é dado como pagamento de favores pessoais, principalmente na condução de doentes para Salvador.

Terminado o seu mandato, Gildásio apresentou para lhe substituir ARLINDO DANTAS DOS SANTOS que governou Tucano no período de 1977 até 1981, quando veio a falecer, assumindo a prefeitura ANTONIO JOSÉ DE SANTANA, Vice-Prefeito, que completou o mandato de 1981 a 1983. Observe que o mandato foi de 6 anos e não de quatro, como era normalmente. Vários episódios acontecidos nesta gestão não me honram de ter exercido o cargo de Vereador de Tucano e temporariamente de Presidente da Câmara. Imagino que é por isso que não tem fotografia minha na casa da cidadania, nem como vereador, nem como presidente da Câmara. Naquela época vereador não tinha subsídio, isto é, não ganhava dinheiro. A não ser algumas benfeitorias no Povoado de Creguenhem, esta gestão não tem muito do que se comentar, a não ser o surgimento de uma nova liderança política de ARILTON DANTAS DOS SANTOS, herdeiro, inclusive dos votos, de Arlindo Dantas dos Santos. Terminado o mandato de Tatá, como era conhecido Antonio José de Santana, quem volta a governar Tucano? GILDASIO PENEDO CAVALCANTE DE ALBUQUERQUE, Eleito em 1983 até 1988. Terminou o segundo mandato de Gildásio e terminou a influência da ditadura militar com a promulgação da CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, conhecida como CONSTITUIÇÃO CIDADÃ. Continua a administração feijão com arroz, temperado com a política assistencialista, protetora de grupos políticos. Não existia interesse voltado para as necessidades coletivas. E assim continuamos até que no final de seu mandato, Gildásio apresentou para seu substituto seu correligionário ARILTON DANTAS DOS SANTOS. Eram tão íntimos como “unha e carne”

Observe que com a revolução de março de 1964, os partidos políticos foram extintos e em 1966 foram criados dois partidos ARENA E MDB, depois PMDB. Vivemos um período de bipartidarismo, isto é, só existiam dois partidos. O poder militar, para não perder o apoio das correntes políticas existentes no interior do Brasil permitiu que no município onde não houvesse consenso, a Arena podia subdividir-se em ARENA 1 ou BOCA BRANCA e ARENA 2 ou BOCA PRETA.  Gildásio e Arilton eram do grupo  BOCA BRANCA, por isso chamei-os de correligionários. Antes de 1966, quando foi eleito Gildásio Penedo Cavalcante de Albuquerque pela primeira vez, o poder em Tucano sempre estava se alternando. Ora era o PRP que administrava, ora era a coligação UDN/PSD que governava. Depois de 1966, primeiro mandato de Gildásio Penedo Tucano sofreu uma série de continuidade do poder. Senão vejamos: Eleições de 1966, prefeito eleito Gildásio Penedo, que apresentou seu correligionário João Cerqueira de Santana, que apresentou seu correligionário Arlindo Dantas dos Santos que foi substituiu devido a vacância por Antonio José de Santana, que apresentou seu correligionário Gildásio Penedo Cavalcante de Albuquerque (segundo mandato), que apresentou seu correligionário Arilton Dantas dos Santos, que quebrou a hegemonia, se rebelou contra seu criador, apresentando para lhe substituir João Martins de Roma. A partir deste momento acabou BOCA BRANCA e BOCA PRETA, sendo substituído por CACHORRO PELADO, depois simplesmente PELADO e PEBA DE CHOCALHO ou simplesmente PEBA, vivos até hoje, em um zoológico que ganhou também VIADOS e  JACARÉS e outros bichos que virão até outubro próximo. 

O Governo de Arilton Dantas quebrou a hegemonia dos Penedos de trinta anos. Diz o ditado popular que: dois galos não cantam no mesmo terreiro ou dois carneiros de ponta não bebem água na mesma cumbuca. Foi assim que Gildásio se deparou com Conceição Roma que, segundo as más línguas, era quem mandava na administração, esvaziando a bola de Gildásio. PICOPEU, tucanense apaixonado pelos Penedos, com raiva da traição falou em um de seus momentos de lucidez o apelido de Arilton chamando-o de PEBA DE CHOCALHO, depois resumido para PEBA. Não sei se esta era a intenção do PICOPEU, mas PEBA significa: caipira, de má qualidade, ruim, tatu, tatupeba, etc. Exemplo: A aliança da noiva era de ouro 18, mas a do noivo era visivelmente PEBA; Essa comida tá muito PEBA; José tem uma mentalidade PEBA, etc. Além desta ruptura política, não temos nenhum comentário a fazer a esta administração, pois continuou feijão com arroz, temperado com assistencialismo. Mudou os urubus, mas a carniça era a mesma. Em 1993, indicado por Arilton, contrariando o já debilitado Gildásio, assumiu JOÃO MARTINS DE ROMA, conhecido como “cu de pano”, não sei explicar a razão do apelido, que administrou Tucano até 1996. Não temos nenhum comentário para esta gestão, pois no nosso entendimento continuou o mesmo feijão com arroz dos administradores anteriores. Foi neste governo que nasceu a “CASA DA DINDA”, isto é,  uma fazenda de propriedade de ZÉ BORÉ, local onde todos os domingos o Poder se reunia para  beber e comer carne de bode assada. Até hoje quando passo pela estrada da Rua Nova me lembra da CASA DA DINDA. João Roma obediente ao seu comandante e a sua sobrinha CONCEIÇÃO, apresenta para lhe suceder quem? ARILTON DANTAS DOS SANTOS. Continua tudo como dantes no quartel de Abrantes, com a Fada Madrinha mandando.   

Nas eleições de 2004, Gildásio Penedo, estrategicamente, sabendo do seu desgaste político, procurou o empresário JOSÉ RUBENS DE SANTANA ARRUDA, lançando-o candidato, disputando com o poder do PEBA que a esta altura já era grande. Surgiu então a briga de cachorro grande, isto é, cachorro pelado e viado contra o peba. Ganhou a coligação e se reelegeu em 2008, estando para entregar o Poder em 2012. Sei que muita coisa deixou de ser feita em Tucano, nestes últimos oito anos, estando o município regredindo frente aos circunvizinhos. Quem conhece Tucano sabe que a melhor obra que o atual prefeito fez foi dar credibilidade ao município frente aos seus fornecedores. Por outro lado não podemos negar que o funcionalismo público teve um tratamento diferenciado, principalmente a Guarda Municipal que hoje se orgulham de serem funcionários municipais. A revitalização do Distrito de Caldas do Jorro ninguém pode negar. O Jorro vai entender melhor esta situação no próximo mês, com a falta do São João. Algum erro também cometeu e continua cometendo o Prefeito RUBINHO como é conhecido. Dentre eles está o de não comparecer à Prefeitura para dar o seu expediente de funcionário público, de “dar aza a cobra”, como diz o ditado popular, não precisa dizer a espécie de cobra porque todo mundo sabe; Não escolher a dedo os seus auxiliares, a maioria despreparada para o exercício da função que lhe foi atribuída, além de não ter um planejamento real e adequado para o município que governa. Estamos nos aproximando de mais uma eleição. O que será que o povo de Tucano vai querer? Com esta análise sintética das administrações de Tucano, podemos ter uma ideia do que queremos. Não vou falar de candidatos porque ainda não temos. Pré-candidato não vale. Só vou falar deles depois das convenções, quando todos forem indicados pelos seus partidos. Hoje não estamos mais no bipartidarismo. O Brasil hoje tem trinta partidos políticos, estamos no pluripartidarismo. Assim sendo vamos aguardar as convenções para esta coluna se preocupar em fazer uma análise dos candidatos às eleições de 2012. O único desejo que tenho é que aquele que for eleito prefeito de Tucano, Administre o município, colocando o interesse público acima do interesse particular e não se acorrente àqueles que vêm sugando o sangue do nosso município há muitos anos.  

Relato por ANTÔNIO GONÇALVES Colunista do Bode Assado feito em 2012.

 

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